Qual a relação entre o FUMO e os IMPLANTES DENTÁRIOS

Mesmo com inúmeras campanhas publicitárias anti-tabagismo, realizadas pelo ministério da saúde, o cigarro ainda é amplamente consumido e por esse motivo, desperta o interesse da comunidade científica para os efeitos prejudiciais do tabaco em relação à saúde do indivíduo. O uso do tabaco está diretamente associado aos problemas pulmonares, cardíacos, além de colaborar para a indução, na cavidade bucal, de lesões cancerígenas, dentre outras patologias.

Com o advento da implantodontia no restabelecimento das ausências dentárias e no intuito de diminuir ainda mais os índices de insucesso desse tratamento, buscou-se identificar a influência do tabagismo como um fator de risco na perda dos implantes, bem como alterações dos tecidos que o circundam.

O hábito de fumar é também vinculado a potencialização da resposta do individuo à placa bacteriana e alterações vasculares que implicam na diminuição do sangramento gengival, retardo no processo de cicatrização, elevação do índice de inflamação na gengiva, periodontite (alterações no sistema de suporte dos dentes), aumento da taxa de perda dentária e ainda, o aumento da reabsorção óssea nos locais de ausências dentárias.

Em pesquisas realizadas foram obtidos resultados estatisticamente significativos entre o grupo de fumantes e o de não fumantes para a perda de implantes dentários. Quando do insucesso de um implante buscam-se falhas na utilização da técnica operatória ou na execução das próteses e ainda, leva-se em consideração se o paciente é ou não tabagista, dentre outras possibilidades.

Estatisticamente, o uso de tabaco leva a uma perda considerável de implantes, que pode chegar ao dobro das ocorridas em pacientes não fumantes. Estima-se que as taxas de sucesso nos implantes baixam de 95% para cerca de 80% em fumantes ativos. O exato mecanismo pelo qual o fumo influencia negativamente a saúde periodontal permanece desconhecido ainda que seus efeitos prejudiciais sejam inegáveis. Porém, sabe-se que das mais de 4000 partículas tóxicas a nicotina é uma que mais interferem na cicatrização. Da mesma forma, o mecanismo exato pelo qual o tabagismo promove o fracasso do implante, também demanda mais pesquisas. Portanto, cabe aos cirurgiões – dentistas alertarem seus pacientes, candidatos a colocação de implantes, que o hábito de fumar pode ter um efeito prejudicial sobre esta terapia. Porém, esse fator não é uma contra-indicação absoluta para a colocação de implantes, mas deve ser considerado na fase do planejamento do tratamento do paciente.